terça-feira, 14 de julho de 2020

O REINO DOS SACIS - CAPÍTULO VIII - CURUPIRA

O Curupira estava sossegado na mata, sentado embaixo de uma belíssima árvore. Estava quase cochilando, quando ouviu alguém o chamando:
- Curupira, socorro, venha me salvar!
- Oi. Quem está precisando de ajuda? Onça? Mico-leão-dourado? – Pergunta Curupira assustado.
- Não, seu paspalhão, sou eu, a Cuca. Venha até a minha gruta, preciso da sua ajuda. – Falou a Cuca.
A gota impedia da Cuca fazer várias magias, mas a sua telepatia continuava funcionando para se comunicar com a várias criaturas da mata.
Curupira montou num javali que estava ali próximo e foi até a gruta da Cuca. Curupira é um ser protetor da floresta, ele tem os pés ao contrário, os calcanhares para frente, os pés ao contrário confunde aquele que o está perseguindo. O Curupira persegue e castiga todo aquele que destrói a natureza e protege todos aqueles que defendem a natureza. Tem grande força física e consegue conversar com os animais. Seu poder é a telepatia, onde pode conversar com os outros seres através da mente, consegue hipnotizar as pessoas e animais através de seu olhar.
Chegando na gruta ele viu a Cuca presa em sua cama de pedra. A desamarrou e desviou a gota de sua cabeça. Cuca levantou meio cambaleando, porque as gotas a
deixavam fraca. Muita braba ela disse ao Curupira:
- Corra até ao Reino dos Sacis e proteja a família salvadora que está na bambucasa do Júlio. Rápido porque já está anoitecendo e o ataque do Bruxo Sam vai acontecer.
Curupira montou novamente no javali e se dirigiu depressa para o Reino dos Sacis. Ele convocou, através da telepatia, mais três Curupiras para o acompanharem nessa missão. Chegaram no Reino e foram direto a bambucasa de Júlio. Ele utilizou a telepatia para conversar com o Saci Júlio, mas alguma coisa interferia na mensagem. Ele bateu na porta da bambucasa. A porta abriu-se e apareceu a Saci Conselheira.
- Curupira! O que você está fazendo aqui? Aconteceu alguma coisa?
- Onde está a Família? Onde está o Júlio?
- Eles estão na Bambuescola de Magia. Porquê?
- Eles estão em perigo, preciso tirá-los urgente daqui.
Os Curupiras montaram nos javalis e ouviram uma explosão na entrada do Reino.
- Vamos depressa, Conselheira saia dessa casa e se esconda.
Chegaram no Bambuescola e viram o Júlio. O Curupira foi até ele e contou sobre o ataque. Júlio orientou o Curupira levar a Família para a cidade dos Curupiras e foi o que ele fez. Tinha quatro javali para levarem eles. O Filho disse:
- Eu não sei andar de javali, provavelmente vou cair.
O Pai disse:
- Vamos subam nos javalis e vamos sair daqui.
A Mãe disse:
- Mas e o Reino, vai ser destruído por nossa causa.
Curupira falou:
- Agora não é o momento de serem os heróis, não chegou a hora.
Montaram nos javalis e saíram rápido dali, olharam para trás e viram o Reino dos Sacis ser destruído pelo exército do Bruxo Sam.




domingo, 5 de julho de 2020

O REINO DOS SACIS - CAPÍTULO VII - O ATAQUE

Amanheceu no Reino dos Sacis. O sol brilhava forte no céu, deixando o verde do Reino mais intenso. Os sacis começam a sair de suas bambucasas, as crianças vão para a Bambuescola de Magia Rainha Mãe, outros vão trabalhar no Bambugoverno, onde o Conselho de sacis e Seres Mágicos da floresta organizam as regras da Magia, outros sacis vão a o Bambumaternidade.
O Saci Júlio perguntou a Saci Conselheira se os hóspedes já tinham levantado.
- Sim e já estão vindo para fazer a refeição da manhã.
- E a Saci Ajudante está na cozinha ajudando? – Pergunta o Saci Júlio com os olhos brilhando.
- Recebi um comunicado que ela teve um contratempo e não poderá vir hoje.
Nesse momento a Família entra na sala, cumprimentam os dois e cada um senta em seu lugar. Eles comem a refeição da manhã: chá verde, orelhas de pau (um tipo de cogumelo) frito na banha de porco do mato e bolo de lagarta de bambu.
- Que horas vamos conhecer a Rainha Mãe? – Pergunta a Filha.
- Vamos sair logo que terminarmos de comer. – Responde Saci Júlio.
Terminada a refeição todos saíram para conhecer o Bambumaternidade e a Rainha Mãe. Por onde eles passavam todos vinham ligeiro conhecer a Família Salvadora, era um reboliço só de seres pulando de uma perna só para lá e para cá, com seus gorrinhos vermelhos e de pito na boca, tinham muitas perguntas para fazer, principalmente os mais novos, mas o Saci Júlio disse que eles estavam indo conhecer a Rainha Mãe e tinham pressa. No meio da multidão estava a Saci Ajudante, que todos nós sabemos é a Iara disfarçada.
Chegando no Bambumaternidade, a Família ficou encantada com a beleza desse lugar: era um imenso campo com muitos bambus verdíssimos, que estouravam a cada cinco minutos, saindo do meio dos gomos vários sacizinhos com seus gorrinhos e pito na boca. Logo que eles saiam, a rainha Mãe, que era diretora da Bambuescola de Magia, ordenava vários sacis a pegarem os sacizinhos e levarem para o Bambumaternidade, lá eles ficavam durante uma semana, onde recebia os cuidados de como se alimentar e morar nos Bambucasas.
A Rainha Mãe era uma saci belíssima, severa em suas ordens, mas ao mesmo tempo meiga com todos. Era alta e seu gorro vermelho tinha um brilho maior do que os outros gorros.
Enquanto a Família conhecia o Reino dos Sacis, o cabeça de Abóbora, o Lobisomem, o Boitatá e a Serpente estão próxima a entrada da caverna da Cuca.
Cuca era uma bruxa jacaré, toda verde, com um rabo comprido. Ela era poderosa, onde podia aparecer no lugar que queria com um simples estalar de dedos. O seu feitiço mais famoso era transforma as pessoas em pedra utilizando um pó mágico que ela produzia em sua caverna com a ajuda de um livro de magia, ela também captura crianças desobedientes para utilizar como seus ajudantes em suas aventuras pela floresta. Ela é muito amiga dos sacis.
Os quatros aliados do Bruxo Sam estão armando um plano para eliminar ou enfraquecer a magia de proteção que a Cuca fez para proteger o Reino dos Sacis.
- A Serpente vai entrar e hipnotizar a Cuca, depois o Cabeça de Abóbora vai amarrá-la com a corda mágica do Bruxo Sam e, por fim, deitamos ela na sua cama de pedra com a gota de água em sua cabeça. – diz o Boitatá.
A Serpente entra de mansinho dentro da caverna e vê a Cuca mexendo seu grande caldeirão na produção de mais um feitiço.
- Estou sentindo um cheiro de um ser rastejante, uma serviçal do Bruxo Sam. – Resmunga Cuca com sua voz poderosa e assustadora.
A Serpente, com sua língua de víbora e voz melosa diz a ela:
- Cuquinha eu abandonei o Bruxo Sam, ele é muito perverso e agora quero me unir a vocês.
- Pensa que me engana, você quer que eu olhe para você para me hipnotizar. – Rebate a Cuca.
- Eu? Nunca faria isso com uma bruxa tão poderosa. Eu vim aqui em paz e te trouxe um presente. – Fala a Serpente, já nervosa por não conseguir enganá-la.
Boitatá vem em seu socorro e grita:
- Sua víbora vou acabar com você!
E joga uma bola de fogo na entrada da caverna fazendo um barulho ensurdecedor. A Serpente entendo o que Boitatá quer, dá um grito e desaba toda no chão com o rabo aos pés da Cuca.
- Pode se virar minha amiga, essa Serpente já era. – Diz o Boitatá.
Cuca não sabia que Boitatá era saaliado do Bruxo Sam e acreditou nele e se virou para ver os olhos da Serpente na frente dela. Ela imediatamente ficou hipnotizada, o Cabeça de Abóbora amarrou a Cuca e colocaram ela deitada em sua cama e providenciaram uma goteira em sua cabeça. Com a gota caindo em sua cabeça a Cuca perdia todos os seus poderes, quase todos. O quatros terríveis foram embora com os gritos da Cuca dizendo que eles iam se ver com ela, seus traidores e bandidos.
Chegou a noite, a Família estava novamente no Bambucasa do Saci Júlio. Eles estavam olhando pela janela a Lua Cheia belíssima no céu. As luzes da Lua deixavam muitas sombras no Reinos dos Sacis, e nenhum saci percebeu a chegada do Boitatá, do Lobisomem, da Serpente e do Cabeça de Abóbora. Eles estavam esperando a autorização do Bruxo Sam, que estava em seu palácio e conversava com eles através do espelho da Bruxa da Branca de neve. A Serpente tinha um pedaço do espelho.
Quando ficou tudo em silêncio o Bruxo Sam autorizou o ataque. Os quatro com um assobio chamaram um exército de lobisomens, de Cabeça de Abóboras, Serpentes e Boitatás. Eles destruíram o Bambugoverno, o Bambumaternidade e o Bambuescola. Os sacis saíram de seus Bambucasas para se defender e com suas traquinagens deixavam o exército louco. Com essa distração esqueceram da casa do Saci Júlio onde estava a Família Salvadora. Boitatá e a Serpente foram até a casa e na frente o Boitatá colocava bolas de fogos no rabo da Serpente e ela lançava contra a casa explodindo toda a casa e não sobrando nada. Quando eles viram que já tinham atingido o objetivo de matar a Família Salvadora, deram um grande assobio e todo o exército do Bruxo Sam fugiram para a floresta.
Os sacis vendo a Bambucasa do Saci Júlio, destruída ficaram desesperados.



domingo, 28 de junho de 2020

O REINO DOS SACIS - CAPÍTULO VI - DE VOLTA AO REINOS DOS SACIS

Na casa do Rei dos sacis estavam sentados em volta da mesa o Pai, a Mãe, o Filho, a filha e o Tio P. O Pai queria mais detalhes e o Rei explicou:
- No mundo da Magia, há muitos anos surgiu uma profecia dizendo que a paz entres os Reinos Mágicos acabaria e que surgiria um bruxo muito ambicioso que casaria com a bruxa mais poderosa do mundo e que iria dominar todos os Reinos Mágicos para possuir toda a magia do mundo. Na profecia ainda diz que o bruxo teria problema para dominar o Reino dos Sacis, porque teria uma família sem magia que destruiria a bruxo com os poderes que eles possuem: amor, amizade, honestidade e fidelidade.
- Mas como vocês sabem que somos nós essa família? – pergunta a Mãe assustada com toda essa história.
- Nós, através de um saci que mora escondido no Reino de Sam, descobrimos que o Bruxo Sam roubou a bola de Cristal da Bruxa Boa do Sul e a prendeu. Com essa bola ele chegou até vocês. Na bola de Cristal estava vocês trabalhando e vivendo no Sítio São Gabriel. – Respondeu o Rei Saci.
De repente o Rei Saci vê uma Saci diferente na sua casa, as únicas Sacis que moravam ali eram a Saci Cozinheira, a Saci Conselheira. Mas tinha agora essa Saci, que era muito bela. Os olhos do Rei Saci ficaram brilhando. Ele perguntou:
- Você é nova aqui em minha casa. Quem é você?
- Oi. Eu sou a Saci Ajudante e estou ajudando a Cozinheira e a Conselheira nos serviços para receber a Família Salvadora. – Respondeu.
A Saci Conselheira disse:
- Precisamos de mais uma pessoa e ela se ofereceu, resolvi contratá-la.
- Então vamos todos dormir, amanhã de manhã vou levar vocês até a Rainha Mãe para apresenta-la a vocês.
Logo após todos dormirem, a Saci Ajudante saiu da casa escondida e foi até o córrego Jacu. Chegando lá ela voltou a ser o que ela sempre foi: a Iara e voltou para água, quando suas belíssimas escamas de ouro brilhante apareceram em sua metade do corpo. Iara era uma mulher muita linda, metade peixe e metade mulher. Ela tinha um canto maravilhoso que leva os homens para o fundo do rio para se casar com ela. Junto ao córrego estava um Boitatá.
- Eu quero dizer que não quero mais fazer isso, é muita sacanagem enganar meus amigos Sacis, que sempre me ajudaram em tudo que eu precisava. Vou fazer só isso e quero meu diadema novamente. – Esbravejou a Iara.
- Mas você ficou tão bonita de Saci! E daí? Qual a localização da Família? - Pergunta o Boitatá.
- A Família está na casa do Rei dos Sacis, vocês não conseguiram chegar lá, a Cuca está protegendo a casa com seu feitiço.
- Não se preocupe com o feitiço da Cuca, isso nós resolvemos depois. Na próxima noite nós vamos matar a Família dentro da casa do Rei dos Sacis.
- Cadê minha diadema, vamos me entregue.
- Isso eu não posso fazer.
- Como? Foi o acordo que fiz com o Bruxo Sam, vamos, me entregue!
- O Bruxo Sam disse que vai precisar de mais serviço seu. Adeus!
Iara ficou desolada em cima de uma pedra, pois sem a diadema ela perde todos seus poderes, não pode ficar muito tempo fora da água e também não pode ficar muito tempo na água e não pode cantar. E pior: se a diadema for quebrada ela morre. O que fazer? Como recuperar seu diadema?





terça-feira, 23 de junho de 2020

O REINO DOS SACIS - CAPÍTULO V - O REINO DE SAM


- Vocês são todos incompetentes, como que a família fugiu? Não é possível! Eles sempre estão escapando.
O Bruxo Sam estava muito irritado sentado em um trono feito de caveiras de vários animais. Ele era um bruxo muito malvado, vivia irritado por não conseguir o que queria. Sam é o governante do Reino de Sam. Esse reino não tinha esse nome, no tempo do Rei Bruxo Otama se chamava Reino dos Bruxos. O Bruxo Sam, juntamente com seus aliados: A Serpente, Boitatá, Lobisomem e o Cabeça de Abóbora, deram um grande golpe em Otama o derrubando do poder e o exilando na Ilha do Enxofre. Logo que assumiu o poder, Sam, como era um cara bastante vaidoso mudou o nome do Reino dos Bruxos para Reino de Sam, seu próprio nome. A bandeira do Reino de Sam era branca com listas horizontais vermelhas e no canto superior esquerdo tinha um quadrado com a fotografia do Bruxo Sam. Antes nesse quadrado havia muitas estrelas brancas num fundo azul. Ele era casado com a Bruxa Má do Oeste. Essa Bruxa era considerada a bruxa mais terrível e poderosa de todo o mundo.
Sam era um rei ditador, não aceitava opinião de ninguém, mas se alguma coisa desse errado sempre a culpa era dos outros, principalmente da impressa bruxa, que sempre estava perseguindo ele. Muitos repórteres bruxos sumiram misteriosamente.
O Reino Sam era o grande reino dos bruxos e bruxas. Neste reino os bruxos e bruxas inventavam suas magias para infernizar ou ajudar as pessoas que não são bruxos ou bruxas. No Reino de Sam tinha toda noite muitas festas com vários tipos de bebidas: licor de patas de aranha, de pelo de sapo, de ranho de onça, e muitas guloseimas: olhos de coruja assados, risoto de carne de rã, feijoada de porco espinho e de sobremesa pudim de vômito de lagarta gigante. Nestas festas o Bruxo Sam conversava com seus aliados sobre sua maior ambição: ter todos os poderes mágicos da terra, ele já havia conseguido muitos: o feitiço vudu, a magia da Escola de Magia de Hogwarts, a magia nórdica e muitos outras magias, mas faltava uma só magia para ele dominar o mundo: a magia do Reino dos Sacis.
Existia uma profecia que dizia o seguinte: No futuro surgiria um Rei Bruxo, casado com a Bruxa mais poderosa da terra, que dominaria quase toda a magia do mundo, mas que encontraria um obstáculo muito grande para conseguir a magia do Reino dos Sacis. Neste reino uma família composta pelo Pai, Mãe, Filho e Filha destruiriam esse Bruxo com seus poderes: Amor, Amizade, Honestidade e Fidelidade.
Era pelo motivo dessa profecia que ele estava muito irritado, porque a bola de cristal da Bruxa Boa do Sul, que estava pressa num calabouço com braceletes anti-magia porque era contra a ambição do Bruxo Sam e da sua irmã Bruxa Má do oeste, revelou a identidade da Família Salvadora. A Serpente 2 disse:
- Amado Mestre não se irrite, a outra Serpente era muito burra, não sabia planejar as ações, mas eu sou diferente e comigo essa família não sobreviverá nem mais um minuto.
- Espero, porque se vocês não conseguirem fazer alguma coisa eu vou eliminar todas as serpentes do mundo da magia.
O Bruxo Sam traçou uma estratégia de ataque ao Reino dos Sacis com a Bruxa Má do oeste, o Boitatá 2, A Serpente 2, o Lobisomem e o Cabeça de Abóbora.





segunda-feira, 15 de junho de 2020

O REINO DOS SACIS - CAPÍTULO IV - O REINO

A Família chegou no Reino dos Sacis. O redemoinho jogou eles num bambuzal novo e fofinho.
- Que loucura isso! – diz o Filho.
- Surreal! – Diz a Filha.
- Cadê o Tio P – diz a Mãe assustada.
- Calma não se preocupe, eu joguei ele no redemoinho logo que cheguei na casa, ele deve estar por aí conhecendo o Reino. – Diz o Saci Júlio.
- Oi, como vocês demoraram! Olhe como estou. – Aparece o Tio P alegre e saltitante. – Não sei o que aconteceu, mas não sinto mais nenhuma dor e estou como se estive com 18 anos.
O Tio P já estava com 80 anos e com muitos problemas nos ossos, mas no Reino dos Sacis as dores sumiram e ele estava muito feliz. Nem esperou resposta, saiu correndo para explorar aquele belíssimo lugar.
Nesse momento a Família percebeu onde estavam, eles estavam no taquaral do Sítio, mas nunca tinha visto esse taquaral desse forma: várias taquaras de diferentes formas e com diferentes tons de verde, as taquaras eram as casas dos sacis, eles moravam nos gomos, como se cada gomo fosse um andar de um prédio e eram muito altos, algumas taquaras alcançavam as nuvens. Havia ruas ou carreiros, apesar deles usarem sempre os redemoinhos para se locomoverem. Os carreiros eram de uma grama, parecida com as folhas das taquaras, verde primavera, ladeadas por hortênsias de todas as cores.
O Saci Júlio convidou a Família para eles conhecerem o Reino.
- Aqui nesse lado esquerdo fica o edifício bambumaternidade, nesse lado direito fica o edifício bambuescola, a nossa frente fica o bambugoverno. E ao lado do bambugoverno temos a praça com muitos brinquedos para os sacis crianças.
O Filho e a Filha correram ver os brinquedos e tinha muitos: bambu com cipó para brincar de voar, bambu balanço, que além de balançar era um elevador que levava até às nuvens e descia enquanto a gente se balançava, tinha bambu escorregador também bem alto.
Mas o Filho e a Filha se interessaram por um caminho que havia no fim da praça, era um carreiro verde também, mas esse era sombrio, escuro e dava calafrios, o Filho teve a impressão de ouvir uma risada vindo do fundo do carreiro. Eles perguntaram ao Saci Júlio o que tinha no fim daquele carreiro. O Saci Júlio explicou:
- No fim desse carreiro fica uma das criaturas da floresta mais terrível que existe, a Cuca, ela gosta muito de comer crianças, ela é verde e se parece com um jacaré. Fiquem bem longe desse carreiro.
Por fim eles chegaram na bambucasa do Saci Júlio. Era o bambucasa mais lindo do Reino. Era alto, chegava até às nuvens, com muitos bambus, um juntinho do outro. Era um verde água-marinha, brilhante e se destacava de todos os outros pela beleza.
- Aqui fica o palácio do Reino dos Sacis, onde eu moro. – Disse o Saci Júlio.
- Você é empregado aqui no castelo? – Perguntou o Pai.
- Eu trabalho aqui sim, mas além de trabalhar aqui eu sou também o Rei e a minha função não é governar, mas proteger todo o Reino da ameaça. Seja externo, do mundo de vocês, ou do Reino Sam. É o Reino Sam que está perseguindo vocês e é por isso que vocês estão aqui. Vocês são a chave principal de uma guerra que se iniciou há muito tempo e está chegando na reta final.
- Nós? Guerra? Reino Sam? O que significa isso tudo? – Perguntou o Pai surpreso e assustado com tudo.

terça-feira, 9 de junho de 2020

ERA UMA VEZ UMA VILA - HISTÓRIA 6 - ERA UMA VEZ.. A MULHER COM CARA DE BRABA DA VILA

Inocente morava a três quadras da Escola da Vila. As ruas da Vila não tinham nome, para se orientar as pessoas da Vila colocavam referência: a casa de fulano fica em frente ao campo de futebol, eu moro do lado da igreja, eu moro atrás da escola e assim vai. Inocente morava em frente do portão de cima do campo de futebol. Ele e sua família podiam assistir os jogos da área da casa, de tão perto que era o campo.
Para Inocente chegar até a Escola todos os dias pela manhã ele precisa passar em frente à casa da Mulher com Cara de Braba. E que sacrifício fazer isso. Muitas vezes ele chegava perto da casa da Mulher com Cara de Braba e via a Mulher sentada na área, ele voltava correndo para casa chorando de medo. Sua mãe, que não tinha muita paciência, dava uns tapas nas orelhas e mandava novamente para a escola dizendo para parar de ser burro que a mulher não era brava. Ele dizia para a mãe:
- Mas mãe dizem que ela é tão ruim com as crianças, me disseram que ela pega as crianças e cozinha num caldeirão e come.
A mãe gargalhava e levava ele até passar a casa da Mulher. Com a mãe ele se sentia seguro e passava em frente à casa da Mulher todo garboso e sem medo. Mas o que ele achava interessante é que a mãe cumprimentava a Mulher e a Mulher respondia o cumprimento. Mas ao chegar na escola ele esquecia desse assunto e só ia lembrar novamente quando tivesse que passar novamente sozinho em frente a essa casa.
Um certo dia Inocente estava indo para a escola sozinho, como ele sempre estava atrasado, os irmãos não esperaram ele. E ele ia devagar, contando as pedras na estrada, cantarolava, tentava pensar em outra coisa, mas só vinha em sua cabeça o caldeirão com crianças cozinhando.
Inocente ia de cabeça baixa e nem percebeu quem apareceu em sua frente bem no protão da casa da Mulher com Cara de Braba: um baita de um cachorro pitbul babando de brabo. O cachorro deu uma latida e Inocente viu o perigo em sua frente, olhou para um lado, tinha uma cerca muito alta com arame farpado na parte de cima, não conseguiria escapar por ali. Virou a cabeça devagar, com os olhos fechados, evitando movimentos bruscos e também porque sabia o que ia ver, e quando abriu os olhos viu a Mulher com Cara de Braba olhando para ele, ela movia seus lábios, mas Inocente não ouvia porque estava já todo molhado, pois havia feito xixi de medo. Quando ele voltou em si, haviam passados uns cinco segundos, ele ouviu ela gritando:
- Corra para cá, rápido! – Ela abriu o portão.
Inocente tinha pouco tempo para tomar uma decisão entre enfrentar o pitbull ou a Mulher com Cara de Braba. E saiu numa disparada para dentro do terreno da Mulher bem na hora que o pitbull chegou no portão que já estava fechado. Inocente se jogou aos pés da Mulher chorando e dizendo:
- Por favor não me coma, eu sou magrinho, sou só osso!
A mulher não dando muita importância para o que ele estava falando disse:
- Levante daí e vamos lá para dentro, está mais quente lá e vou ver uma outra calça para você.
E ele, como um cachorrinho obediente e com muito medo, foi atrás da Mulher. Chegando na casa seus olhos se arregalaram com o que viu: ele estava na cozinha bem colorida, com várias cores na parede, um fogão de lenha, chaleiras com imitação de vaca, galinha e porco esmaltadas, uma mesa com uma toalha com flores, uma mais linda que a outra e um guarda-louça antigo pintado de um amarelo bem brilhante. E um detalhe: não tinha caldeirão nenhum na cozinha. A Mulher o levou até a sala e pediu para ele esperar. Enquanto ele esperava começou a observar a sala: o chão era de madeira, brilhava de tão limpo que estava, tinha uma cristaleira com vários copos, tigelas e outras utensílios, também tinha uma estante com várias fotografias: tinha a fotografia de uma mulher, um homem e uma criança no colo da mulher, várias fotografias de uma criança, tinha foto de uma outra mulher também e de um casal mais velho, tinha um jogo de sofá onde Inocente sentou.
Inocente pensava: “acho que essa Mulher não é o que dizem!” A Mulher voltou e pediu para ele trocar a calça e colocar a molhada dentro de uma sacola. Ele voltou para a sala onde a Mulher estava esperando e tinha um rapaz com ela. A Mulher disse:
- Então viu as fotos da estante?
- Sim. – Respondeu Inocente.
- Essas fotos são do meu marido e meus pais, que já são falecidos, da minha irmã que está ali no quarto acamada e do meu filho que está aqui sentado ao meu lado.
Inocente foi para casa e contou para a mãe sobre a Mulher com Cara de Braba, sobre sua vida sofrida com o marido que bebia muito, do filho que o pai não deixou estudar, mas ela ensinou ele a ler e escrever e hoje ele escreve crônicas para um jornal famoso da Capital, sobre a irmã que tem noventa anos e está doente na cama. E disse que comeu uma comida muito gostosa que ela havia feito.
A mãe, para tirar sarro dele, perguntou:
- E a comida era sopa de criança? – E deu uma gargalhada.
Inocente, com vergonha, disse:
- Nunca mais vou falar essas besteiras, porque a Mulher com Cara de Braba é um anjo em pessoa.



domingo, 7 de junho de 2020

O REINO DOS SACIS - CAPÍTULO III - O REDEMOINHO

O redemoinho levou a família para a cozinha da casa do Sítio São Gabriel. Todos estavam intrigados, pois eles estavam na cabeceira da cachoeira e de repente um redemoinho os levou até à cozinha da casa deles. O Filho diz:
- Que coisa louca! Uma delícia viajar através desse redemoinho.
O Tio P estava sentado em sua cadeira perto do fogão quando eles chegaram com o redemoinho, seu chapéu vou da cabeça, estava assustado e se benzeu com o sinal da cruz e disse:
- isso é coisa do Saci. – E mexendo no bolso continuou – É ele mesmo, porque ele levou meu fumo.
A Filha ficou meia desconfiada disse não acreditar que exista saci. A Mãe disse que não sabia o que aconteceu, mas estava alegre por todos estarem bem. O Pai disse que também pensava igual ao Tio P, o Saci salvou eles da grande serpente.
- Mas por que o Saci nos salvou? Alguma coisa está acontecendo...
E a vida continuou no Sítio são Gabriel. Mãe, Pai e o Tio P fazendo o serviço da roça e o Filha e a Filha indo para a escola. Passou-se um tempo, o acontecido da serpente foi deixado para trás a Filha chega para a Mãe e diz:
- Mãe, você não acha que estamos sendo observados?
- Pois olha, tenho essa sensação também. – Responde a Mãe.
As duas foram conversar com o Filho e o Pai. O Pai disse:
- Eu e o Filho já percebemos que tem um par de olhos com chamas de fogo nos observando e acho que é o Boitatá. Uns dias atrás eu percebi, quando esses olhos estavam indo embora, que uma bola de fogo subiu para o céu e foi lá para os lados da cocheira, é melhor tomarmos cuidado.
No dia seguinte todos estavam tomando o café da manhã. Era um sábado. Quando eles ouviram um barulho. Todos correram para a janela, até Tio P pegou sua bengala e saiu apressado para chegar a janela, mas como ele está com dificuldades para andar nem chegou perto da janela os quatro já estavam voltando rápido para a mesa. Eles gritaram para o Tio P:
- Se segure porque a casa está voando. Ela foi arrancada do chão e estamos já a um acerta altura.
Olharam para fora, enquanto seguravam - se firme no fogão a lenha, que era a peça mais pesada da cozinha, eles viram um bruxo voando numa vassoura, o Boitatá e a Serpente. O bruxo gritou:
- Eu sou o Bruxo Sam e vou esmagar essa casa com vocês dentro.
A janela estava aberta, o Boitatá se precipitou para dentro da casa tentando atingir o Pai com suas bolas de fogo, mas o Pai ligeiro com era se jogou de lado e gritou para a Filha:
- Abra a torneira e se jogue para o lado.
A Filha abriu a torneira, mas ela não conseguia pular, estava apavorada com a aproximação do Boitatá. O Filho mais que ligeiro agarrou a mão dela e a puxou, nisso o Boitatá passou direto e caiu dentro da pia com água e pedia socorro enquanto a água ia apagando seu fogo.
Logo em seguida foi a vez da Serpente e a Mãe disse:
- Acho que agora chegou nosso fim.
A casa deu uma virada de repente e todos acabaram caindo no teto, a Serpente arrebentou o teto e o telhado caindo para fora, junto caiu o Filho que se agarrou num pedaço de madeira no teto. Quando a cobra entrou na casa acabou o encanto que o Bruxo Sam tinha posto nela para voar, para não cair ela se agarrou com o rabo nos pés do Filho.
O Pai, a Mãe e a Filha conseguiram puxar o Filho, mas com isso veio a Serpente junto. O que fazer agora? Eles ouviram atrás deles uma voz:
- Corram para dentro do redemoinho, venham.
Olhando para o lugar de onde vinha a voz eles viram uma pessoa de uma perna só, com um cachimbo na boca chamando eles, atrás dessa pessoa tinha um redemoinho com diversos tons de verde, de dentro dele vinham muitas risadas. Eles não tinham outra alternativa senão correr para dentro do redemoinho. Eles tinham que pular por cima dos escombros da casa e se equilibrar porque agora a casa estava indo direto, com uma velocidade incrível, na direção dos pinheirais.
A Serpente ia se rastejando atrás deles, mas os quatro conseguiram chegar no redemoinho e pularam para dentro, a Serpente também conseguiu pular para dentro, só que antes que entrasse tudo seu corpo, que era muito grande, o redemoinho se fechou cortando-a no meio.




domingo, 31 de maio de 2020

O REINO DOS SACIS - CAPÍTULO II - A SERPENTE


No dia seguinte o pai convida a todos da casa para rastelar sapé. Ele pega um pouco de fumo do Tio P, caso apareça o saci novamente
A cada 6 meses o Pai, a Mãe, a Filha e o Filho precisam rastelar o sapé no potreiro, pois as vacas e os bois, ao se alimentarem da grama, podem aspirar a grimpa para dentro das narinas.
Eles desceram o potreiro até chegar perto das primeiras araucárias. Ao longe se ouvia o barulho da água da cachoeira Jacu. Essa cachoeira tem mais ou menos 100 metros de altura, ela é rodeada por uma mata verdíssima com várias espécies de árvores da Mata Atlântica, principalmente a araucária, árvore típica da região onde o Sítio são Gabriel está situado.
Enquanto conversavam e rastelavam o sapé apareceu como num passe de mágica uma grande serpente. Eles se assustaram e o Pai tentava espantar o monstro com o rastel. A cobra era grande, tinha olhos vermelhos, dois chifres na cabeça, dentes enormes, soltando uma língua dividida em duas na ponta para fora da boca, o corpo dela era todo cheio de escamas amarelos. Mas a serpente abriu a boca e engoliu inteiro o rastel. Única solução para a família foi sair correndo com a serpente em seu encalço. A serpente, com seu peso, ia derrubando muitas árvores. Eles correram em direção à cachoeira. Quando chegaram na cachoeira ficaram encurralados: dos lados a floresta densa, com muito nhapindá, impossível de adentrar, atrás o precipício com a água da cachoeira caindo feito um véu de noiva e a frente a serpente com aparência de fome, querendo devorá-los.
Filho, assustado, mas gostando muito da aventura diz a todos:
- Precisamos descer a cachoeira, vamos rápido.
Começaram a descer a cachoeira com cuidado, pois estava escorregadio. Estavam numa certa altura quando a serpente chegou no alto da cachoeira. Estavam fora do alcance da serpente, mas a bicha era esperta, enrolou a ponta da cauda numa pedra e se jogou cachoeira abaixo. Os quatro pararam de descer vendo o monstro chegar cada vez mais perto, mas para surpresa deles a serpente passou direto caindo no precipício. Todos estavam assustados e começaram a subir a cachoeira com muito cuidado, se pisassem em uma pedra frouxa podiam dizer adeus a vida. Todos se perguntavam o que aconteceu que a cobra passou direto por eles?
Ainda estavam longe do alto da cachoeira quando perceberam que a cobra estava subindo também. O Pai gritou:
- Vamos, mais rápido!
Todos começaram a subir mais rápido, o último da fila era o Pai, ele já podia sentir o bafo da cobra nos pés dele, quando o Filho chegou no alto da cachoeira, ajudou a Filha e a Mãe a subir e não conseguia ver o pai, ele começou a gritar:
- Pai, onde está você?
E nada do Pai, eles já estavam chorando quando viram a mão do Pai agarrar uma pedra, todos foram ajudar ele, mas atrás dele veio a cobra. E eles estavam novamente encurralados com a cobra bem a frente deles soltando a língua. Em vez da cobra atacar eles, ela falou:
- Vocês são a Família? Pois eu fui mandada para acabar com vocês, no meu mundo vocês são conhecidos como a Família Salvadora. Então se preparem, o meu Mestre vai ficar muito feliz quando eu vomitar seus ossos aos pés dele.
Depois de falar isso a cobra avançou para cima deles. Ao mesmo tempo começou um redemoinho na água e a Família sumiu nesse redemoinho, deixando a cobra assustada e decepcionada vendo eles desaparecerem. Ainda eles ouviram a cobra gritar:
- Na próxima eu pego vocês!


terça-feira, 26 de maio de 2020

O REINO DOS SACIS - CAPÍTULO I - O SACI


O Sítio São Gabriel é um lugar cheio de mistérios. Na subida de um morro tem um taquaral. Esse taquaral fica no meio de uma floresta, com árvores altas e belíssimas, fica escondidinho dentro da mata, só os moradores do Sítio sabem onde fica esse taquaral.
As pessoas que moram no Sítio são as seguintes: Papai , Mamãe , Filha , Filho, Tio P e uma parte da semana vem a Tia C. Na frente da casa do Sítio moram a Tia L, Tio G e o Primo S.
Quando as pessoas do Sítio São Gabriel passam perto do taquaral eles relatam que acontecem coisas estranhas, como: o chapéu voando da cabeça sem vento, some o cigarro da boca do Tio P, as pessoas caem sem mais nem menos.
Numa sexta-feira à tarde Papai e o Filho foram até a mata pegar uns pedaços de pau caído para lenha. Eles entraram na mata, ajuntaram os paus e levaram a primeira viagem. Na segunda viagem a mata escureceu de repente. Papai achou muito estranho porque era três horas da tarde e o sol estava bonito. Papai falou para o Filho:
- Vamos tomar cuidado, pois acho que essa escuridão é obra do Saci.
O Filho estava com muito medo e correu para se agarrar nas pernas do Papai. Quando o Papai terminou de falar ouviu-se um barulhão e um redemoinho de fumaça. O Filho e o Papai estavam muito assustados. De dentro da fumaça apareceu um jovem pulando de uma perna só com um cachimbo na boca e dando muita risada e já foi pedindo:
- Para passar por mim tem que me dar fumo.
- Se nós não tivermos fumo o que acontece? - Perguntou Papai.
- Vou levar vocês para o Reino dos Sacis. – Respondeu o Saci.
O Filho ficou com mais medo e disse:
- Vamos correr Papai!
Ele tentou correr, mas uns cipós parecidos com taquara se enrolaram nas pernas dele não deixando ele se mexer.
- Socorro Papai, estou preso. – Gritou o Filho.
Papai implorou e o Saci resolveu atendê-lo, mas advertiu os dois dizendo:
- Vou deixar vocês irem, mas amanhã nesta mesma hora vocês terão que me trazer fumo.
Na mesma hora o Saci sumiu no redemoinho de vento. Papai e Filho voltaram para casa, contaram para os outros, mas ninguém acreditou porque a história era muito estranha.
Gostaram da História. Semana que vem tem mais.